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Especial: O isolamento de Israel

Com Benjamin Netanyahu no poder, a guerra na Faixa de Gaza tende a continuar, para que ele se segure no cargo, ainda que isso custe para o primeiro-ministro o isolamento do resto do mundo.

Danilo Rocha Lima e Diogo Oliveira, do Volta ao Mundo em 180"
#INTERNACIONAL29 de mar. de 244 min de leitura
Danilo Rocha Lima e Diogo Oliveira, do Volta ao Mundo em 180"29 de mar. de 244 min de leitura

A gente vai aproveitar esse feriado para se concentrar em um assunto de extrema importância para todo o mundo: o isolamento de Israel. Vamos começar lembrando que em 7 de outubro do ano passado, quando o Hamas atacou Israel, matando milhares de pessoas, o apoio a Israel para se defender foi grande. O maior desses apoios veio dos Estados Unidos, aliado de longa data. Washington apoiava incondicionalmente Tel Aviv no seu direito de se defender diante da barbárie de um grupo terrorista.

Imagens: Hamas Media Office
Imagens: Hamas Media Office

Mas, cinco meses depois, o tempo fechou entre Israel e grande parte dos seus aliados. Essa semana, uma resolução pedindo o cessar-fogo imediato do conflito na Faixa de Gaza foi aprovada no Conselho de Segurança da ONU. Durante os últimos cinco meses, os americanos barravam resoluções desse tipo, tentando justamente proteger Israel. Ao mesmo tempo, o presidente americano Joe Biden tentava convencer o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a evitar mais mortes de civis na Faixa de Gaza, que já passam dos 30 mil. 

Dessa vez, os EUA se abstiveram e a resolução foi aprovada. Pela lei internacional, países que não cumprem resoluções podem ser sancionados, mas a ONU não pode obrigá-los. Netanyahu já disse que não vai aplicar a resolução. Assim, a relação entre Netanyahu e Biden azedou de vez.

Foto: vp / Instagram
Foto: vp / Instagram

A vice-presidente americana, Kamala Harris também abriu a gaveta de críticas abertas ao governo de Israel. O clima já era ruim entre esses dois governos desde 2022, quando Netanyahu assumiu um sexto mandato, com o apoio de uma coalizão de extrema direita. Além disso, Netanyahu tentou fazer uma reforma judicial que o beneficiaria em processos nos quais ele mesmo é julgado. O israelense sabe que a única forma de recuperar um pouco de capital político depois das falhas que permitiram o ataque do Hamas é justamente unir o eleitorado de Israel em torno dele, por causa de uma guerra e da ameaça de um inimigo comum que vem de fora.

Foto: Benjamin Netanyahu / Instagram
Foto: Benjamin Netanyahu / Instagram

Para o primeiro-ministro, enquanto houver guerra, ele se mantém no poder. Porque ao longo dos anos, ele e seus aliados reforçaram o discurso contra a criação de um Estado Palestino. O Hamas também não quer isso. Por isso, a guerra continua.

Mas, além dos americanos, a União Europeia, pressiona cada vez mais para que Israel pare e negocie um cessar-fogo, principalmente diante da possibilidade de um ataque à cidade de Rafah, onde se espremem mais de um milhão de palestinos.

Foto: potus and vp / Instagram
Foto: potus and vp / Instagram

Para Joe Biden, o apoio a Netanyahu, em ano de eleição presidencial, pode custar caro. De preferência, o eleitorado judeu vota nos democratas. Biden precisa de cada voto, diante da ameaça da volta de Donald Trump. Mas esse apoio judeu-americano não é unânime, nem incondicional. Por exemplo, o líder dos democratas no Senado dos Estados Unidos, Chuck Schumer, que é a maior autoridade judia no país, criticou a operação militar em Gaza e pediu novas eleições em Israel. Ele sentiu que grande parte do eleitorado democrata tem criticado Israel e colocado pressão pública em Biden para não apoiar toda e qualquer barbárie do aliado. Por isso, além da tragédia humana em Gaza, os Estados Unidos, ou melhor, o governo Biden, faz as contas e leva em conta o cenário político para justificar a distância tomada em relação a Israel.

Foto: Evan Schneider / ONU
Foto: Evan Schneider / ONU

Israel tem se tornado pária mundial. China e Rússia votam contra os Estados Unidos na ONU por pura política e cálculo de influência geopolítica. Enquanto isso, milhares de palestinos sofrem com bombas, frio, sede e fome. Com Netanyahu no poder, a guerra tende a continuar, para que ele se segure no cargo, ainda que isso custe para o primeiro-ministro o isolamento do resto do mundo.

Estamos no seu tocador de podcast favorito e também na Tropical Sat de Juazeiro, na Bahia. Imagem: Headline
Estamos no seu tocador de podcast favorito e também na Tropical Sat de Juazeiro, na Bahia. Imagem: Headline

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